{"id":15985,"date":"2025-06-30T14:17:59","date_gmt":"2025-06-30T18:17:59","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.aa-intergroup.org\/stories\/a-historia-de-recuperacao-de-um-alcoolico-australiano\/"},"modified":"2025-06-30T14:17:59","modified_gmt":"2025-06-30T18:17:59","slug":"a-historia-de-recuperacao-de-um-alcoolico-australiano","status":"publish","type":"story","link":"https:\/\/beta.aa-intergroup.org\/pt-br\/historias\/a-historia-de-recuperacao-de-um-alcoolico-australiano\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o de um alco\u00f3lico australiano"},"content":{"rendered":"<p>A Minha Jornada de Sobriedade<br \/>\nData de Sobriedade: 11 de abril de 1977<br \/>\nPor Gordy (tamb\u00e9m conhecido como &#8216;Gordon do 11\u00ba passo&#8217;)<\/p>\n<p>Ol\u00e1 pessoal,<br \/>\nO meu nome \u00e9 Gordy. Sou um alco\u00f3lico australiano ao extremo. Por aqui, conhecem-me como &#8220;Gordon do 11\u00ba passo&#8221;. Gostaria de partilhar um pouco da minha jornada de recupera\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as a esta Irmandade incr\u00edvel e \u00e0 sabedoria generosa do meu Poder Superior amoroso\u2014a quem chamo Deus.  <\/p>\n<p>Acredito que nasci alco\u00f3lico. Desde o in\u00edcio, carregava todas as caracter\u00edsticas: medos profundos, habilidades de comunica\u00e7\u00e3o fracas e um forte sentimento de n\u00e3o ser suficientemente bom. Sempre senti que n\u00e3o pertencia. Olhando para tr\u00e1s, era uma alma perdida\u2014emocionalmente sobrecarregado e espiritualmente vazio. Um alco\u00f3lico cr\u00f3nico e desamparado em forma\u00e7\u00e3o.    <\/p>\n<p>No dia em que a bebida entrou na minha vida, tudo mudou. Pareceu uma cura milagrosa\u2014a po\u00e7\u00e3o m\u00e1gica que me consertaria. Tive a minha primeira bebida (sem supervis\u00e3o) em 1962 quando tinha 14 anos e 9 meses. Tinha acabado de me alistar como rapaz de conv\u00e9s a bordo do velho navio a vapor SS Iron Monarch, um navio de min\u00e9rio de ferro da Segunda Guerra Mundial. Ele comercializava a partir de Melbourne, e foi l\u00e1 que a minha carreira de bebedor realmente come\u00e7ou.   <\/p>\n<p>Duas semanas depois, atrac\u00e1mos em Newcastle. Fui para terra com os meus companheiros de navio. Naquela noite, no bar da frente do Hotel Seven Seas em Carrington, tive o meu primeiro apag\u00e3o\u2014e acordei no banco de tr\u00e1s de um carro. Dois estranhos estavam comigo. Um estava a conduzir; o outro estava a revistar os meus bolsos.    <\/p>\n<p>Entrei em p\u00e2nico, ataquei e fui brutalmente espancado. Lembro-me de vomitar no tipo que me estava a bater\u2014provavelmente porque estava t\u00e3o b\u00eabado e assustado. Depois ele abriu a porta enquanto o carro ainda estava em movimento e atirou-me para fora. Aterrei com for\u00e7a na estrada, coberto de cortes e hematomas.   <\/p>\n<p>Agora, a maioria das pessoas pensaria que uma experi\u00eancia como essa impediria algu\u00e9m de beber para sempre. Mas para mim, isso foi apenas o come\u00e7o. Aquela noite foi a minha inicia\u00e7\u00e3o numa longa e dolorosa carreira alco\u00f3lica que duraria mais 15 anos.  <\/p>\n<p>Fiquei no mar durante 12 anos. A maioria de n\u00f3s no ramo mar\u00edtimo sabia que o \u00e1lcool estava em todo o lado. Calculo que 60\u201375% dos marinheiros tinham um problema com a bebida. Era aceite. Era normal.    <\/p>\n<p>Bebi cada vez mais, e as coisas pioraram. Muito pior. <\/p>\n<p>Casei em 1966 e arrastei a minha pobre esposa pelo inferno durante 11 longos anos. A minha bebedeira levou a internamentos hospitalares, tempo na pris\u00e3o, viol\u00eancia de rua, vergonha e caos. N\u00e3o conhecia nada diferente. Beber dava-me uma fuga curta da minha mis\u00e9ria, ent\u00e3o persegui-a intensamente.   <\/p>\n<p>Se me chamasses alco\u00f3lico naquela altura, ter-te-ia dado um soco no nariz. Acreditava verdadeiramente que era normal ir &#8220;beber umas&#8221;.    <\/p>\n<p>A minha vida era como um avi\u00e3o em espiral descendente a toda a velocidade\u2014prestes a bater na terra. Estava totalmente viciado, em nega\u00e7\u00e3o e numa via r\u00e1pida para a destrui\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Para mim, um alco\u00f3lico era algu\u00e9m a dormir num beco, a beber \u00e1lcool met\u00edlico e embrulhado em cobertores. Esse n\u00e3o era eu! Tinha uma esposa, quatro filhos e uma casa. Ent\u00e3o, disse a mim mesmo que n\u00e3o podia ser alco\u00f3lico. Mas estava completamente errado.    <\/p>\n<p>A minha esposa, Deus a aben\u00e7oe, manteve a porta aberta para mim. Repetidamente, eu rastejava de volta, sofria com as ressacas e come\u00e7ava de novo. Ela era dedicada, paciente e incrivelmente forte.  <\/p>\n<p>Mas finalmente, o meu alcoolismo apanhou-me. Por volta de agosto de 1976, bati numa parede. <\/p>\n<p>Estava de volta \u00e0 pris\u00e3o de Port Adelaide\u2014outra vez. Estava a acordar com o som de urin\u00f3is a pingar e o barulho de semi-reboques a passar. Murmurei para mim mesmo: &#8220;Porque raio estou de volta neste lugar imundo?&#8221;  <\/p>\n<p>Algo dentro de mim rachou.<\/p>\n<p>Pouco depois, tive um momento que acredito ter sido arranjado por Deus. Fui buscar o meu sogro ao Archway Rehab, e quando toquei a campainha, fiquei chocado. Um amigo que n\u00e3o via h\u00e1 anos atendeu a porta\u2014bem barbeado, arrumado e s\u00f3brio. A \u00faltima vez que o vi, estava a viver debaixo de chapas de ferro, a beber \u00e1lcool met\u00edlico.   <\/p>\n<p>Ele disse: &#8220;Estou sem beber. Vou ao AA.&#8221;<\/p>\n<p>Isso ficou na minha mente.<\/p>\n<p>Continuei a beber por mais alguns meses, mas a semente estava plantada. Depois, chegou a P\u00e1scoa de 1977, e tive uma explos\u00e3o massiva. Mais viol\u00eancia. Mais dor. Fiquei na cama durante dias, a recuperar.    <\/p>\n<p>Depois disse \u00e0 minha esposa: &#8220;Talvez v\u00e1 ver uma dessas reuni\u00f5es do AA\u2014s\u00f3 para ver o que faz pelo meu amigo.&#8221;<\/p>\n<p>A minha esposa contactou-o imediatamente, e ele apareceu. &#8220;Queres ir a uma reuni\u00e3o esta noite?&#8221; perguntou. <\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o&#8221;, disse eu, &#8220;mas vou \u00e0 de domingo \u00e0 noite no Centro de Desintoxica\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Esse foi o primeiro compromisso importante que tinha feito em anos\u2014e cumpri-o.<\/p>\n<p>Entrei naquela reuni\u00e3o do AA a tremer como uma folha. N\u00e3o sabia o que esperar. Mas a rece\u00e7\u00e3o que tive foi como nada que j\u00e1 tinha experimentado. Ningu\u00e9m queria nada de mim. Estavam apenas contentes por eu estar l\u00e1.    <\/p>\n<p>Uma senhora alegre chamada Just Judy aproximou-se e ofereceu palavras gentis. O marido dela, Joey Green, era um estivador escoc\u00eas. Ambos tinham vozes que podiam fazer tremer as vigas\u2014mas estavam cheios de calor e sinceridade. Judy perguntou: &#8220;Podes vir buscar-me para uma reuni\u00e3o amanh\u00e3 \u00e0 noite?&#8221; N\u00e3o fazia ideia de que estaria a lev\u00e1-la a reuni\u00f5es pelos pr\u00f3ximos 18 anos e meio.    <\/p>\n<p>Judy tornou-se uma das pessoas mais honestas, humildes e inspiradoras que conheci no AA. Partilhava do cora\u00e7\u00e3o\u2014sem vergonha, sem filtros. O exemplo dela mostrou-me como era a verdadeira recupera\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p>Desde aquela primeira reuni\u00e3o, n\u00e3o precisei de beber\u2014um dia de cada vez. O AA deu-me tudo o que precisava: f\u00e9, esperan\u00e7a, amizade, prop\u00f3sito e acima de tudo\u2014uma rela\u00e7\u00e3o com um Deus amoroso. <\/p>\n<p>Levei quatro anos a resolver as minhas fal\u00eancias. Lidei com a lei\u2014oito mandados de d\u00edvida, cinco acusa\u00e7\u00f5es criminais. Fiz repara\u00e7\u00f5es. N\u00e3o foi f\u00e1cil, mas fiz.   <\/p>\n<p>As reuni\u00f5es tornaram-se o meu rem\u00e9dio. A Irmandade tornou-se a minha fam\u00edlia. O amor, o riso, a honestidade\u2014sobrecarregaram-me. N\u00e3o entendo, e n\u00e3o preciso de entender. S\u00f3 sei que funciona.   <\/p>\n<p>S\u00f3 tenho de fazer algumas coisas simples:<br \/>\nN\u00e3o pegar.<br \/>\nIr \u00e0s reuni\u00f5es.<br \/>\nE levar a mensagem sempre que puder.<\/p>\n<p>N\u00e3o como algum orador superestrela, mas apenas como um tipo com uma hist\u00f3ria e um cora\u00e7\u00e3o disposto a ajudar.<\/p>\n<p>Em agosto de 1981, tive um despertar espiritual profundo enquanto rezava \u00e0 cabeceira do meu sogro moribundo. Pedi a Deus para aliviar a dor dele e levar a alma dele. Naquele momento, senti algo poderoso. Um toque divino que n\u00e3o consigo explicar. Soube no meu cora\u00e7\u00e3o que Deus \u00e9 real e que Ele est\u00e1 l\u00e1 para todos os que se dirigem a Ele.    <\/p>\n<p>Hoje em dia, j\u00e1 n\u00e3o penso que sou algum rei ou cavaleiro do tabuleiro de xadrez. Sou apenas um pe\u00e3o humilde\u2014um mensageiro, um elo nesta cadeia incr\u00edvel de recupera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Hoje, sei porque estou aqui:<br \/>\nPara levar a mensagem de experi\u00eancia, for\u00e7a e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 suficiente para mim. \u00c9 isso que procurava desde sempre. Paz interior. Aceita\u00e7\u00e3o. Amor.    <\/p>\n<p>E gra\u00e7as ao AA, encontrei-o.<\/p>\n<p>Quero agradecer a cada um de voc\u00eas por salvarem a minha vida. Reanimaram um homem partido. Por isso, amo-vos e sa\u00fado-vos\u2014em nome desta Irmandade espiritual.  <\/p>\n<p>P.S. O D\u00e9cimo Primeiro Passo \u00e9 a chave para tudo na minha vida. Quando me perco ou fico confuso, volto ao Passo 11. Centra-me. Guia-me. Liga-me a Deus.    <\/p>\n<p>Com amor,<br \/>\nGordy<br \/>\nS\u00f3brio desde 11 de abril de 1977<br \/>\n&#8220;O D\u00e9cimo Primeiro Passo \u00e9 a chave para viveres a tua vida espiritualmente.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"template":"","class_list":["post-15985","story","type-story","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/beta.aa-intergroup.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/story\/15985","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/beta.aa-intergroup.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/story"}],"about":[{"href":"https:\/\/beta.aa-intergroup.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/story"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/beta.aa-intergroup.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}